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"REFERENDAR
AS INDEPENDÊNCIAS NACIONAIS. Estou de acordo com Mário
Soares. Porque não um referendo no País Basco? Porque
não um referendo na Madeira e nos Açores, se um número
mínimo de cidadãos o requerer? Que sentido faz dogmatizar
a unidade política de um Estado? Que exista um ambíguo
capital de queixa, nas nacionalidades ou regiões, muitas
vezes absurdo e injusto, não é saudável. Se
hoje o divórcio é tão simples, porque não
os divórcios nacionais ou regionais? Os movimentos independentistas
reclamam-se quase sempre de uma legitimidade democrática
não comprovada, mas também não negada pelo
voto. Porque é que se há-de absolutizar aquiloque
é por sua natureza relativo? Para acumular absurdos? Já
não basta que se relativizem coisas que são por sua
natureza absolutas? Como o direito à vida, por exemplo? "
Mário
Pinto, no Público de 02.09.2002.
Não há dúvida que a Alemanha está firmemente
ancorada no Ocidente, está empenhada na Europa e que os alemães
acreditam na liberdade, democracia e direitos humanos. Mas enquanto,
por um lado, o país assumiu um papel muito mais relevante
a nível internacional desde 1990, por outro, muitos alemães
têm dificuldade em lidar com isso.
Esta situação deve-se aos longos anos de guerra fria,
quando a política externa alemã girava à volta
da divisão do país. Isto impediu o desenvolvimento
de uma cultura de política externa como existe nos países
anglo-saxónicos ou em França. Apenas uma pequena elite
em Bona chegou alguma vez a pensar noutros assuntos para além
da divisão nacional."
WOLFGANG
SCHAUBLE, Público, 22.09.2002
"...a Espanha é já o país mais descentralizado
da Europa. Temos mais autonomia do que ninguém. Nunca as
regiões tiveram mais competências, mais recursos financeiros.
O que é preciso é que a base, a coluna vertebral do
Estado se mantenha firme. E isso está bem assegurado em Espanha."
José
Maria Aznar, Expresso, 21.09.2002
"O que
se está a produzir em Espanha é um fortalecimento
da auto-estima espanhola, da confiança nacional na nossa
nação. É isso que está a acontecer e
conseguimos que seja compatível com uma descentralização
máxima."
IDEM,
Ibidem
"A Europa
é muito plural, tem círculos diferentes. E tem dois
riscos essenciais. Um é o dos nacionalismos desenfreados,
pretendendo que a base de construção europeia não
sejam os Estados nacionais, mas sim bases regionais. Claro que,
se uma Europa a quinze é difícil e uma Europa a vinte
e cinco é difícil, uma Europa a 250 não é
difícil, é impossível! Esse é o conflito.
É o primeiro risco. O segundo é a criação
na Europa de um aparelho artificial, ortopédico, que não
se dê conta da sua pluralidade e que naturalmente originará
tensões sobre todos os Estados, em todas as nações.
Os dois riscos são de evitar."
IDEM,
Ibidem
"A política, uma das ocupações mais nobres
a que alguém se possa dedicar, é um entrançado
de altos ideais e de estratagemas sórdidos. Quem apenas for
capaz de um dos dois que vá fazer outra coisa: que entre
para uma igreja - ou que se junte a uma máfia. Poderá
dar um bom santo ou um bom inimigo público; para político
não serve."
José
Cutileiro, Expresso, 21.09.2002
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