Porquê Cavaco Silva?
Dezembro 2005
João Sobral
Centro de Investigação e Análise em Relações Internacionais
 

Em Janeiro voltaremos a exercer o dever de voto para escolhermos o próximo Presidente da República. Procurarei transmitir por que é que entendo que o Prof. Cavaco Silva é a pessoa com as qualidades que o país necessita para o exercício do cargo.

Dois aspectos relevantes a ter em conta no desempenho de quem gere os assuntos públicos são a law in books – as regras institucionalizadas – e a law in action – os comportamentos concretos e as atitudes políticas; em suma o que o detentor de um cargo faz com os poderes de que dispõe.

As sucessivas revisões constitucionais diminuíram os poderes do Presidente da República, essencialmente de modo a anular impasses de procedimento ao nível da governação e a evitar bloqueios entre Presidente e Governo. Os poderes de que o Presidente dispõe são limitados mas não necessariamente irrelevantes se for eleito alguém com qualidades capazes de os engrandecer.

Cavaco Silva tem uma presença forte na sociedade, uma invulgar capacidade para se fazer ouvir e o mérito de as suas recomendações terem consequências efectivas. Durante os mandatos de Jorge Sampaio as suas intervenções públicas, feitas em ocasiões oportunas, produziram efeitos não raras vezes mais determinantes do que os discursos do Presidente da República. Quando Cavaco Silva fala é ouvido e considerado. É por estas razões a pessoa mais capacitada para transformar poderes aparentemente pouco relevantes em acções realmente consequentes.

A competência, sentido de interesse nacional e independência que lhe são reconhecidos por pessoas de várias áreas do arco político, deixam adivinhar, sendo eleito, um Presidente capaz de impulsionar uma cultura de exigência e responsabilidade e elevar a qualidade da democracia portuguesa.

É também o único candidato com credibilidade e dimensão pessoal para dar um sinal de estímulo e confiança à economia, transmitir à população um projecto de viabilidade nacional – ao nível da estratégia de administração interna e de postura no mundo –, e conseguir uma elevação prática das expectativas e dos resultados.

É de uma pessoa com esta valia de projecção de influência que Portugal necessita para recuperar a confiança, estimular o dinamismo na sociedade e restaurar a credibilidade do Estado; sem alterações na law in books. Um representante dos portugueses e do interesse nacional de perfil honesto e prestigiado. Uma referência sólida num tempo que é de incerteza.