Em Janeiro voltaremos a exercer o dever de voto para escolhermos
o próximo Presidente da República. Procurarei transmitir
por que é que entendo que o Prof. Cavaco Silva é a pessoa
com as qualidades que o país necessita para o exercício
do cargo.
Dois aspectos relevantes a ter em conta no desempenho
de quem gere os assuntos públicos são a law in books
– as regras institucionalizadas – e a law in action
– os comportamentos concretos e as atitudes políticas; em
suma o que o detentor de um cargo faz com os poderes de que dispõe.
As sucessivas revisões constitucionais diminuíram
os poderes do Presidente da República, essencialmente de modo a
anular impasses de procedimento ao nível da governação
e a evitar bloqueios entre Presidente e Governo. Os poderes de que o Presidente
dispõe são limitados mas não necessariamente irrelevantes
se for eleito alguém com qualidades capazes de os engrandecer.
Cavaco Silva tem uma presença forte na sociedade,
uma invulgar capacidade para se fazer ouvir e o mérito de as suas
recomendações terem consequências efectivas. Durante
os mandatos de Jorge Sampaio as suas intervenções públicas,
feitas em ocasiões oportunas, produziram efeitos não raras
vezes mais determinantes do que os discursos do Presidente da República.
Quando Cavaco Silva fala é ouvido e considerado. É por estas
razões a pessoa mais capacitada para transformar poderes aparentemente
pouco relevantes em acções realmente consequentes.
A competência, sentido de interesse nacional e independência
que lhe são reconhecidos por pessoas de várias áreas
do arco político, deixam adivinhar, sendo eleito, um Presidente
capaz de impulsionar uma cultura de exigência e responsabilidade
e elevar a qualidade da democracia portuguesa.
É também o único candidato com credibilidade
e dimensão pessoal para dar um sinal de estímulo e confiança
à economia, transmitir à população um projecto
de viabilidade nacional – ao nível da estratégia de
administração interna e de postura no mundo –, e conseguir
uma elevação prática das expectativas e dos resultados.
É de uma pessoa com esta valia de projecção
de influência que Portugal necessita para recuperar a confiança,
estimular o dinamismo na sociedade e restaurar a credibilidade do Estado;
sem alterações na law in books. Um representante
dos portugueses e do interesse nacional de perfil honesto e prestigiado.
Uma referência sólida num tempo que é de incerteza.