Outra vez o "Blitz"?
Julho 2005
Pedro Martins
Licenciado em Relações Internacionais
 
Antes de prosseguir, uma nota de esclarecimento sobre a utilização do termo “Blitz”, nada tem a ver com uma utilização abusiva de um titulo de um jornal de música da nossa praça, mas com um termo usado pelos Londrinos durante a II Guerra Mundial.

Este pequeno texto escrito horas depois de se saber dos atentados em Londres pretende ser mais uma opinião de um simples licenciado em Relações Internacionais que subscreve as primeiras declarações do Primeiro-ministro Britânico, que diz não estarmos perante um ataque a um país soberano, mas sim face a um ataque a todo um modo de viver.

No dia 11 de Setembro de 2002 nos “media” de todo o mundo perguntava-se onde é que as pessoas estavam no dia 11 de Setembro de 2001, nada de anormal não fosse esse dia marcado como sendo o dia da infâmia II, o outro dia da infâmia o 7 de Dezembro de 1942 marcou a entrada definitiva dos Estados da América na 2ª Guerra Mundial.

Seguiu-se, em 2003 o 11 de Março, coincidência só na data, o alvo Madrid e exceptuando a gestão desastrosa da crise o imapcto foi igual, levando mesmo à retirada das tropas Espanholas do Iraque, a opinião pública de um modo geral aplaudiu a decisão do governo saído das eleições dias após o atentado, outros nos quais eu me incluo discordamos e vimos nesse acto uma rendição aos terroristas.

Hoje (07-07-2005) fomos de novo atacados, digo fomos porque tal como disse logo no inicio e citando o Primeiro-ministro Britânico não foi só um país visado mas todo um modo de vida que quer queiramos quer não causa invejas um pouco por todo mundo, goste-se ou não o capitalismo é o pior de todos os sistemas económicos, mas é até ver o que permite maior mobilidade e os extremistas Islâmicos ou não, não aceitam.

O outro alvo, o nosso regime politico, as Democracias Ocidentais. Alvos porquê?
São regimes abertos e que recebem todos os povos sem excepção, assim e atacando as populações civis semeia-se a desconfiança, o receio da diferença étnica ou religiosamente, ora em pleno processo de alargamento da União Europeia e com a Turquia de maioria muçulmana a querer entrar na União Europeia só se pode concluir que o que estes ataques pretendem é uma Europa fechada, fortaleza com receio da diferença.

Estou em querer e citando o professor Luís Tomé, é que estamos perante uma III Guerra Mundial à escala global desde o dia 11 de Setembro de 2001, mas de contornos diferentes dos habituais, em que não há distinção entre alvos civis e/ou militares, somos todos alvos, estejamos nos transportes colectivos ou nos nossos empregos.

Termino citando Winston Churchill, no parlamento Inglês antes da Batalha de Inglaterra na II Guerra Mundial: “(…) iremos até ao fim (…) combateremos nas praias, combateremos nos mares e oceanos, combateremos nos campos e nas ruas (…) não nos renderemos nunca."