No
passado dia 12 de Julho, o Secretário Geral da NATO, Jaap de Hoop
Scheffer, proferiu um discurso no Centro de Política Europeia em
Bruxelas, intitulado “Beyond Istambul”, tendo-se referido
em particular sobre as relações entre a NATO e a EU como
um objectivo estratégico a prosseguir.
De facto, é
uma marca dos nossos dias o reforço da aproximação
e cooperação entre estas duas instituições
que, cada vez mais, são enquadrantes e garantes do modo de vida
das chamadas ‘sociedades ocidentais’ e, em particular, de
Portugal que é membro fundador da NATO e membro da EU há
quase 20 dos 30 anos de vida democrática do nosso país.
O discurso do Secretário
Geral da NATO, motivado pela transição de competências
ao nível da estabilização política da Bósnia-Herzgovina
para a EU, como consequência do fim da missão SFOR da NATO
no final de 2004, sublinhou a necessidade de uma maior cooperação
entre a NATO e a EU em todas as questões de segurança que,
entre outras, envolvam processos de paz e de reconstrução
após conflito, de combate ao terrorismo e da prevenção
do alastrar de armas de destruição em massa.
Tais ambições
justificam-se porque se antes do alargamento 11 membros da EU eram em
simultâneo membros da NATO, com o alargamento são 19 dos
25 membros da EU que também pertencem à NATO e nunca seria
compreensível uma duplicação de esforços para
dotar a EU de uma braço armado próprio com a dimensão
e a projecção da NATO, assente na justificação
de que tal seria uma projecção de poder que permitiria à
EU reforçar o seu papel no mundo e assumir-se como fruto de uma
vontade comum e de uma verdadeira cidadania europeia.
Sendo a NATO uma organização
de Segurança e Defesa e sendo a EU uma organização
económica que se quer política, nada é mais natural
que fazer realçar uma complementaridade que sempre foi evidente
entre as duas instituições e que ficou bem patente com a
intervenção da NATO nos Balcãs. Se tal facto se torna
imediatamente evidente para os países membros de ambas as organizações,
o crescimento nos últimos anos dos países considerados ‘Partners
for Peace’, apenas demonstra que essa complementaridade assenta
em valores civilizacionais comuns.
Nem sempre esta constatação
tem sido reconhecida por aqueles que pontualmente querem fazer-nos crer
que a NATO não é mais do que a imposição de
uma estratégia bélica americana sobre o mundo. Tal facto
ficou bem ilustrado com as acusações de ingerência
por parte da NATO aquando da sua intervenção nos Balcãs,
o mesmo quiseram fazer aquando do anuncio da adopção de
uma estratégia de actuação assente em missões
‘Out of Area’ – que se concretizou de forma mais evidente
no Afeganistão – e, recuando um pouco mais no tempo, muitos
não viram mais do que o braço armado americano presente
na Europa no período da Guerra Fria. No entanto, o que se verifica
é que a cooperação entre a EU e a NATO remonta à
década de 90 com a assunção desta cooperação
concretizadas nos Tratados de Maastricht (1992) e de Amsterdão
(1997) por parte da EU, e nas Cimeiras da NATO em Bruxelas (1994), em
Madrid (1997) e em Washington (1999).
Com o consequente
reforço dos contactos e das declarações de propósitos
de ambas as instituições já neste século,
não sobram dúvidas que hoje as duas instituições
são complementares e concorrem directamente para a segurança
e o florescimento de um modo de vida que é comum a quem partilha
os mesmos valores de justiça e de liberdade.
Num momento em que,
a nível global, se colocam questões tão importantes
como o combate ao terrorismo e às armas de destruição
em massa.
Num momento em que
o ‘mundo ocidental’ se prepara para ultrapassar uma grave
crise económica e em que o petróleo bate, diariamente, recordes
de preço.
Num momento em que
a Comissão Europeia se dotou de um presidência que é
vista como uma solução para as tensões das relações
entre a Europa e os Estados Unidos provocada pela intervenção
no Iraque.
Num momento em que
alguns sentem que os tradicionais Estados soberanos estão ameaçados
e a este propósito não resisto a evocar a entrada em vigor
da restrição da nossa ZEE dos Açores que quase passou
despercebida dos portugueses.
Num momento em que
a vocação atlântica portuguesa e os oceanos são
constantemente evocados como desígnio nacional.
Num momento crucial para as Forças Armadas Portuguesas em que se
colocam questões tão importantes como o rearmamento, a profissionalização
e o direito de associação dos militares e a disseminação
do regime de voluntariado.
Neste momento é
um imperativo uma consciência cívica que, quer ao nível
da representação política, quer ao nível da
nossa participação nas forças que garantem o exercício
e a promoção do nosso modo de vida, da democracia em que
prezamos viver e dos valores que a sustentam, sabermos participar responsavelmente
nas diversas pertenças que assumimos e que nos identificam como
povo ao mesmo tempo que nos situam na história permitindo-nos construir,
a partir dessas pertenças, o nosso futuro
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