Foi
com esta proposta, que Beijing apresentou na cerimônia realizada
na noite do último domingo (26/06) o slogan das Olimpíadas
2008.
O slogan carrega a responsabilidade chinesa em unir num só mundo
os países participantes dos jogos olímpicos, as 56 minorias
étnicas e territórios como Taiwan e Hong Kong, que almejam
obter a independência política, desvinculando-se na teoria
do que já é uma prática.
Este mundo, ainda em construção,
em ritmo alucinante que assusta pelo dinamismo e pragmatismo chinês,
concentra tantas premissas tal qual as providências a serem implementadas
nestes 3 anos.
É preciso estar atento as sutilezas chinesas para embarcar no conceito
e na filosofia embutida no slogan sem considerá-lo piegas.
A luta deste “império
do meio”( tradução literal para Zhong Guo ??, nome
do país em chinês) caracterizada no decorrer dos séculos
por diversas invasões, algumas concessões ( como Macau que
esteve sob administração portuguesa e Hong Kong concessão
inglesa) e uma série de movimentos que influenciaram a dinâmica
regional ( por exemplo em Qingdao com a presença dos alemães
e Tianjin, com a presença japonesa) e mais recentemente o processo
de abertura e a adaptação ao mundo ocidental.
Há também a luta diária travada pelos chineses no
cotidiano deste que é o país mais populoso,
sem no entanto deixar abalar o nacionalismo arraigado, estas são
apenas algumas das considerações a serem feitas.
Há ainda as de teor
cultural, relacionadas ao modo lúdico típico do funcionamento
do idioma chinês, sem elucidar as inúmeras sutilezas capazes
de serem captadas somente com a experiência de se viver no país.
Este é o mundo que se
prepara para o sonho de realizar as olimpíadas.
E realizar vai além dos preparativos como a construção
da Vila Olímpica (cerimônia também realizada ontem)
e obras de infra estrutura para comportar um evento deste porte, envolve
no caso da China mudanças comportamentais, a mais óbvia
delas relacionada ao aprendizado da língua inglesa.
A cerimônia de ontem,
chamou a atenção pela comoção que as Olimpíadas
despertam nos chineses, um misto de nacionalismo, profundo contentamento
e orgulho, além de uma forte cobrança em relação
aos resultados não apenas dos atletas, mas deles próprios
em tornar deste sonho realidade.
Para os críticos, este
espetáculo não emplaca, a começar pelo slogan, considerado
insosso, que remete a propaganda de alguma agência de turismo ou
empresa aérea. Consideram que os jogos olímpicos serão
na verdade um show de ilusionismo, apresentando ao mundo panorama idêntico
ao de alguns produtos made in china, falsos.
O embate entre críticos
e entusiastas tem este intervalo até 2008 para se desenvolver,
e posteriormente com o evento consumado poderão então dispor
de argumentos concretos para defender cada qual sua posição.
Todavia acima desta esfera
dos embates concentra-se um fator que movimenta e impulsiona o advento
olímpico, trata-se do fascínio das massas, deste sentimento
visceral e irracional que exerce o poder de unir todos pela mesma causa.
Permitindo que esta colcha de retalhos, de tantas cores e sabores, anseios
e devaneios transforme-se numa bandeira monocromática vermelha
a ser agitada, tornando-se o instrumento a dar vazão na concretização
de “um mundo um sonho.” |