A
experiência de viver na China há quase 12 meses é
única, fascinante, complexa demais para ser descrita em todos os
seus aspectos de uma só vez.
Nesse artigo, vou me limitar ao relato das principais dúvidas do
empresariado brasileiro diante dessa China ainda desconhecida por muitos.
O ano de 2004 foi
marcado por eventos e acontecimentos importantes para a consolidação
da presença brasileira na China. A saber, me refiro à abertura
do escritório da Varig aqui em Beijing, com a presença do
Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. A visita
do presidente Lula acompanhado da numerosa delegação de
empresários. Em seguida, a comemoração dos 30 anos
de estabelecimento diplomático sino-brasileiro. A realização
da Expo Brasil-China. A visita com o propósito de estreitar o intercâmbio
cultural, do Ministro da Cultura, Gilberto Gil, fora as inúmeras
delegações governamentais ou empresariais. A última
que recepcionei foi a delegação liderada pelo governador
Marconi Perillo e empresários de Goiás.
Consolidar a imagem
do país exige esforços e seriedade.
Considerar que uma única visita à China renderá frutos
é errônea, assim como a idéia de que a população
chinesa, atuais 1.300 bilhão habitantes, corresponda ao número
do mercado consumidor.
Em pesquisa divulgada este mês pela Federação Nacional
de Estudantes junto com o Organismo de Supervisão do Mercado mostra
o poder de consumo dos jovens universitários e o comportamento
conservador da maioria dos chefes de família que consideram importante
poupar para o futuro.
A visita ao país
é fundamental para apresentação do produto, da empresa
e quem a representa. Importante também para tentar nesse (geralmente
curto) período perceber as sutilezas do mercado, do público
e do empresário chinês. É importante estar atento
a todos esses aspectos.
A percepção e adaptação (se for o caso) do
produto para adequar-se as expectativas do consumidor, por exemplo, o
paladar do chinês diferente do nosso é bastante sensível
ao açúcar.
A questão da apresentação do produto, da embalagem,
também faz muita diferença.
Outro ponto importantíssimo
refere-se à tradução. A escolha do tradutor é
por vezes uma questão que acaba não sendo priorizada pelo
visitante, por considerar ou confiar que o interlocutor chinês fale
inglês, por vezes falam, todavia detalhes importantes e sutilezas
se perdem ou não são captados, tornando a reunião
mal sucedida.
O Brasil, apresenta
condições de ampliar o leque de opções a serem
oferecidas ao mercado chinês, reverter essa fórmula ultrapassada
de ser apenas celeiro, o fornecedor de matéria-prima, da velha
concepção de ser o país do futebol, do samba e do
café ( que aliás por aqui, já não o é,
o mercado chinês de café está muito bem representado
por marcas italianas, costa riquenhas, colombianas entre outras) e criar
identidade aos produtos, reforçar a imagem “Made in Brazil”.
Aproveitar a desburocratização
no processo de concessão de visto aos chineses, assinado em virtude
da visita presidencial ao país, e mostrar todo o nosso potencial
turístico. Atrelar ao desenvolvimento do setor turístico
tantos outros setores como o cultural, gastronômico de moda...,
estruturar em diversas células, concatenando e compondo o todo.
A atual conjuntura
política do país em suas iniciativas mais atuantes, a moeda
estabilizada, e a superação do comportamento passivo de
país periférico são ingredientes favoráveis
para se lançar não só no mercado chinês, mas
ao mundo.
Brasil, mostra a sua cara!
Despedir-se do ano
velho e fazer de 2005 um novo ano em relação à participação
brasileira na China. O ano novo por aqui ainda nem começou ( os
chineses a celebrarão no dia 08 de fevereiro), atitudes empreendedoras
são sempre bem vindas. Desejo realmente um feliz novo ano ao Brasil! |