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de mais devemos saber que seca, tal como as cheias que se irão
seguir – é natural que assim seja – são fenómenos
naturais. Contrariamente ao que se possa pensar a água em Portugal
à semelhança do que se passa no resto do mundo, é
um bem escasso.
A pressão sobre
os recursos hídricos está associada às actividades
humanas que naturalmente acompanham a distribuição da população
e das actividades económicas. Muitas vezes, apesar da água
desde sempre ter constituído um factor de localização,
os recursos disponíveis quase nunca coincidem com as zonas de consumo.
Este facto conduz a custos elevados de transporte de água a que
sempre estão associados insustentáveis taxas de perda.
À distribuição
espacial da população, o tipo do ocupação
urbana em relação à rede hidrográfica e aquíferos,
estão associados os risco, situações hidrológicas
extremas (secas e cheias) e episódios de poluição.
A distribuição
das actividades económicas relevantes para a gestão dos
recursos hídricos, quer pela quantidade de água que utilizam,
quer pela qualidade de água que exigem, centram-se na agricultura
de regadio, no abastecimento às populações, no turismo
e na produção de energia eléctrica. Tudo isto somado
traduz-se numa situação insustentável em matéria
de recursos hídricos.
À parte as
questões de natureza biofísica do ciclo da água,
sem dúvida que a fragmentação de utilizadores e gestores
é a grande responsável por muitos dos problemas de que padece
a gestão e o planeamento da água. Os problemas da água
não têm só a ver com a sua escassez mas também,
e cada vez mais, com a sua qualidade.
Em Portugal perdeu-se
a consciência do ciclo da água: a água não
é mais do que qualquer coisa barata, que não valorizamos,
chega-nos pela torneira e escoa-se pelo ralo. Para o cidadão comum
isto é a água.
Quase sempre pensamos
que a água é um bem garantido já que se regula segundo
um ciclo que é encarado como se não tivesse limites. O desenvolvimento
parece configurado para consumos e utilizações cada vez
mais insaciáveis. Tem havido sempre forma de construir mais uma
barragem ou um furo que, em tempo, resolve as necessidades imediatas.
E depois? O ciclo global da água é algo mais que um mecanismo
hidráulico de bombeamento e descarga, é um sistema vivo
e vulnerável. E isto não é um tema só para
alguns, diz respeito a todas as actividades económicas e cidadãos.
O preço, de
durante décadas, do planeamento hidrológico e a gestão
de recursos hídricos ter assente na satisfação imediata
dos consumos é demasiado elevado. Como vamos utilizar a água?
Existe a "ingénua" convicção que a moderna
tecnologia pode conduzir a um uso sustentável do ciclo hidrológico
só pelo facto de proporcionar água - os dados de várias
organizações idóneas mostram o contrário.
Na última década investiu-se, como nunca, em instrumentos
de planeamento –Plano Nacional da Água, Planos de Bacia Hidrográfica
e até num Plano para o Uso Sustentável da Água -,
e agora? Construiu-se o maior lago artificial da Europa e agora o gado,
ali ao lado, morre com sede. Disseram-nos e justificou-se o Alqueva, como
reserva estratégica de luta contra a seca. Quem responde perante
isto? Durante anos vendeu-se o Alqueva como a grande salvadora. Fizeram
a parede e agora? O Engº Adérito Serrão andou durante
anos a fio a vender o céu de Alqueva, oito dias depois da primeira
grande inauguração demitiu-se porque não acreditava
no projecto, teve como recompensa a presidência do Instituto de
Meteorologia que agora ocupa. Que venha a Serpa explicar ao Tio Joaquim
que a seca e o Alqueva coexistem.
Em Portugal mais de
80% dos consumos de água estão afectos às actividades
agro-pecuárias. Grande parte desta água é desperdiçada.
A água não se paga e tudo isto passa ao lado Ministério
do Ambiente. Quem manda na água em Portugal? Alguém acredita
que é o Ministério do Ambiente? Para que serve então
o Ministério do Ambiente? Para regular?
No Algarve, em Luz-Tavira,
algumas culturas morrem com excesso de água, a recarga artificial
do aquífero pelos excessos de água da rega a isso leva.
Querem maior evidência do desperdício criminoso e impune?
Numa altura em que
é necessário racionalizar meios e recursos e sermos mais
eficientes, eco-eficientes, é muito oportuno que o próximo
governo encare esta matéria muito seriamente. Alguém acredita
nisso?
Caixas
Causas da Básicas Escassez de Água
- Desperdício, más práticas.
- Mau ordenamento do território e do uso do solo.
- Gestão parcelar do ciclo da água.
- Desconhecimento dos sistemas aquíferos.
- Subestimação de consumos.
- Perdas de água.
· Má configuração das redes de distribuição;
· Falta de manutenção das redes de distribuição.
- Falta de regulamentação adequada.
- Não cumprimento da regulamentação.
- Falta de política apropriada.
- Incumprimento por parte do Estado dos compromissos adquiridos.
- Má gestão.
· Rega inapropriada;
· Água gratuita;
· Uso de espécies vegetais de grande consumo.
- Esgotamento de albufeiras segundo as necessidades energéticas
e de rega.
- Consumo urbano.
- Necessidades de água de indústrias muito contaminantes.
Consequências
Básicas da Escassez de Água
- Pobreza, despovoamento e desertificação.
- Investimentos elevados.
· Obras hidráulicas cada vez mais dispendiosas;
· Furos cada vez mais profundos;
· Unidades dessalinizadoras;
· Transvases entre bacias;
· Redes de transporte;
· Planos de contingência e protecção civil.
- Fortes perdas por má gestão.
· Redes de transporte;
· Técnicas inadequadas de regadio.
- Contaminação.
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