| 47ª Tertúlia - Um Olhar sobre 2005 |
Lisboa, 29 de Novembro de 2005 |
| Moderação: José Francisco Braz da Silva |
| Redacção da Acta: João Sobral |
| |
| O moderador José
Francisco Braz da Silva abriu a sessão lembrando os acontecimentos
que marcaram o ano político a nível nacional e internacional,
e propondo alguns tópicos para discussão.
No decorrer da tertúlia foi referido que, ao contrário do que é tradição, com Durão Barroso e com a então direcção do PS, não houve consenso em matéria de Política Externa em Portugal. Os participantes pareceram ainda assim concordar que esse facto se deveu mais a circunstâncias momentâneas relacionadas com as direcções dos dois principais partidos, não se extraindo daí uma alteração substancial nesta matéria. Aliás, com José Sócrates e Freitas do Amaral a retórica de oposição não se verificou (Portugal mantém militares no exterior cumprindo os seus compromissos internacionais) e a Política Externa não mudou como era expectável. Disse-se que essa alteração não se deu porque, pela suas características, contexto, e momento histórico, Portugal não pode modificar a essência das suas orientações de Política Externa. A questão que ocupou mais os participantes foi a não ratificação da Constituição Europeia. Foi dito que a França tem uma opinião pública firme que disse, no referendo a propósito da Constituição, mais do que lhe foi perguntado. Disse que é contra a entrada da Turquia (que considera não entrar no espírito da comunidade europeia) e contra a perda de direitos sociais. Ao contrário de Espanha, onde o esclarecimento foi condicionado, em França o debate em torno deste assunto foi fortíssimo, tendo os franceses recusado uma imposição, inclusive pelo modo como decorreu todo o processo. E sobretudo emitiram a mensagem de que há um conjunto de problemas muito concretos que não estando resolvidos exigem uma solução urgente antes de se pensar em novas etapas do processo de integração europeia. Um participante não europeu presente na discussão salientou que não compreende que tipo de sociedade querem os europeus. Disse ainda que existem problemas novos na Europa que exigem soluções mas primeiro é necessário que se admita que de facto esses problemas existem. Como imigrante afirmou que na Europa actuamos como se os problemas não existissem e aconselhou que vejamos a realidade. Salientou ainda a necessidade de uma autoridade mais firme em presença de actos de banditismo. Na parte final
o debate continuou a centrar-se nos assuntos europeus tendo-se dito que
estão a reaparecer dentro da UE depois do último alargamento,
linhas longas de Política Externa. Foi ainda dito que a entrada
da Turquia é simbólica, pois é já um quase
membro, e poderia até ter quase todos os privilégios de
membership sem entrar como membro de pleno direito. No entanto, mais do
que obter esses privilégios, o objectivo da Turquia é fazer
parte do clube. Foi ainda dito que a UE atravessa uma fase de défice
de líderes fortes, destacando-se de momento a liderança
de Tony Blair. A tertúlia terminou com um relativo consenso em
torno da ideia de que vivemos uma época crítica e que estamos
a passar de um paradigma para outro de organização da sociedade. |
|
|