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A corrida espacial
começou no final da II Guerra Mundial, quando soviéticos
e americanos capturaram engenheiros alemães que trabalhavam no
V-2 alemão. Alguns especialistas alemães foram colocados
nas primeiras instalações soviéticas de pesquisa
e desenvolvimento de mísseis. Estes submeteram a Estaline várias
propostas para “naves” balísticas e anti-balísticas,
tendo sempre como ponto de partida o V-2. O míssil que surgiu destes
testes e experiências – o R-14 – foi um míssil
cruzeiro capaz de percorrer cerca de 3km com uma ogiva de aproximadamente
3 toneladas.
Após melhoramentos, testes e experiências, surgiu o R-7 que
apenas no quarto lançamento a 9 de Agosto de 1957 conseguiu levantar
do solo. O R-7 revelou-se um falhanço como ICBM mas um excelente
veículo de lançamento de satélites e o progenitor
de longa série de propulsores.
Do lado americano foi desenvolvido o projecto Redstone que consistia no
desenvolvimento de mísseis balísticos pesados, cujo primeiro
lançamento bem sucedido apenas foi conseguido em 1953. Nesse mesmo
ano, os Estados Unidos haviam conseguido lançar um míssel
– o Nike Ajax - que interceptou um avião tornando-se assim
no primeiro abate aéreo com sucesso.
A 4 de Outubro de 1957, os soviéticos lançaram com sucesso
o Spunitk – o primeiro satélite artificial a orbitar a Terra.
O “beep, beep” que enviou para a Terra percorreu os televisores
e rádios de todo o mundo. Foi notícia em todos os jornais
e colocou os EUA numa posição de desvantagem – a União
Soviética estava um passo à frente na obtenção
da tecnologia necessária à criação de mísseis
balísticos de médio e longo alcance.
O primeiro satélite americano estava previsto para Dezembro desse
ano, mas quem conhecia o programa Vanguard, sabia que se tratava de uma
previsão extremamente optimista. O Explorer I apenas foi lançado
com sucesso em Janeiro de 1958 sendo, segundo os EUA, “the free
world’s first satellite”.
O Presidente Jonh F. Kennedy, no seu curto mandato, comprometeu-se a elevar
o programa espacial americano ao topo, planeando que até ao final
da década de 60, os americanos chegassem à Lua. Enquanto
os americanos somavam um número elevados de acidentes e incidentes
no seu programa espacial e uma percepção cada vez maior
de que o espaço era uma mais-valia, os Soviéticos haviam
já enviado a cadela Laika, Yuri Gagarin e Tereshkova (primeiro
homem e mulher o espaço, respectivamente) e detinham também
o título de primeiro passeio espacial por Aleksei Leonov, e ainda
colocado em órbita uma série de Sputniks.
Em Julho de 1969, o Apolo 11 colocou na Lua uma equipa de dois americanos,
Neil Armstrong e Buzz Aldrin, os primeiros homens na Lua. Foram recolhidas
amostras do solo lunar e realizadas experiências científicas.
Após uma série de 6 missões bem sucedidas, cuja única
excepção foi Apolo 13, a Lua nunca mais seria visitada por
seres humanos até aos dias de hoje.
A ida à Lua bem sucedida pelos americanos colocou-os à frente
na corrida espacial. Os Soviéticos enviaram à Lua em 1973
os robôs lunares Lunokhods para recolha de amostras do solo lunar
e ainda para tirarem fotografias do mesmo, algo que apenas tornou a ser
repetido de certa forma recentemente. O mundo não deu grande importância
ao feito Soviético. A verdade é que o projecto soviético
não implicava que se colocassem em risco vidas humanas para a exploração
lunar e poderia trazer vantagens futuras na exploração espacial.
Para além disso, o lançador soviético nunca funcionou
correctamente e por isso colocar vidas humanas na Lua seria um risco demasiado
grande.
Ainda em 1971, os Soviéticos tentaram dar um passo à frente
dos EUA e enviaram para órbita o primeiro módulo lunar da
Salyut, a primeira estação espacial. Durante a década
que se seguiu foram enviados mais 6 módulos. O objectivo da estação
espacial seria a realização de experiências científicas
e o estudo dos efeitos da estadia prolongada no espaço assim como
a realização de testes a equipamento que pudesse facilitar
estadias mais longas.
Os EUA responderam a este desafio soviético com o Skylab em 1973,
que servia de habitação temporária no espaço
a 3 astronautas durante as missões. O seu objectivo seria a realização
de experiências científicas, incluindo o estudo da ausência
de gravidade e os seus efeitos no ser humano, observação
do sol e o estudo da energia solar e ainda realização de
experiências propostas por estudantes. Contudo o Skylab apenas esteve
em funcionamento até 1974 e cinco anos depois o que restava dele
ardeu na reentrada na atmosfera terrestre.
Em 1981 é realizado com sucesso o voo do primeiro veículo
reutilizável – o Shuttle. Os americanos colocavam-se assim,
na dianteira da corrida espacial ao conseguir um vai-e-vém que
seria o seu principal meio de transporte para o espaço até
bem pouco tempo. Os soviéticos tentaram também desenvolver
um sistema deste tipo – o Buran – mas este acabou por ser
suspenso até porque a Guerra Fria terminou no ano seguinte ao primeiro
lançamento de teste realizado.
Os Soviéticos haviam em meados da década de 80 apostado
na MIR. Esta estação espacial era modular. Tinha um módulo
base com seis portas de acoplagem para cargas de mantimentos e módulos
adicionais. A Estação poderia ser expandida, consertada
e actualizada sem afectar o módulo base.
Com o final da Guerra Fria, os EUA continuaram praticamente sozinhos durante
a década de 90 no espaço. Alguns projectos internacionais
como a Estação Espacial Internacional e o surgimento de
projectos espaciais de outros países não causaram grandes
“sobressaltos” à liderança do programa espacial
americano. Por seu turno, os russos ficaram sem verbas para continuar
activamente com os projectos em curso e a cooperação internacional
tornou-se uma solução bastante plausível.
Contudo, na década de 90 houve um princípio de guerra comercial
quantos aos lançamentos e a Europa (ou seja, a Arianespace) chegou
a ter uma posição muito dominante nesse mercado. Depois
os russos começaram a propor os seus lançadores, mais económicos,
e os americanos recuperaram também alguns dos seus lançadores
meio esquecidos.
No início do século XXI, o espaço ganhou uma nova
dimensão e a corrida espacial voltou a estar em agenda. Deixaram
de haver dois actores para existirem uma série deles, quer mundiais
quer regionais.
George W. Bush anunciou a 14 de Janeiro de 2004 a intenção
dos Estados Unidos regressarem à Lua e chegarem a Marte, com missões
tripuladas, até 2014. Apesar deste anúncio ter suscitado
bastantes criticas a nível interno, em parte pelo défice
quase “astronómico” dos Estados Unidos e das suas consequências
no futuro da economia americana mas também por ser ano de eleições
e ser considerado por alguns como “caça ao voto”, é
de salientar o impacto que este anúncio teve na cena internacional.
A comunidade internacional desdobrou-se em comunicações
de apoio ao projecto americano e em realçar projectos próprios
que visam Marte. A Rússia afirmou de imediato possuir planos mais
baratos para chegar ao Planeta Vermelho e, que apesar do plano de exploração
espacial russo ter sido abandonado, os seus cientistas nunca abandonaram
as investigações. Moscovo apelou à cooperação
internacional, realçando o sucesso alcançado com a Estação
Espacial Internacional. A Academia de Ciências da Rússia
lembrou que o seu Instituto de problemas Médico-Biológicos
está a preparar em condições de laboratório,
cosmonautas para a primeira viagem a Marte .
Também a Europa tem um projecto desde 2001, o Aurora, que prepara
a exploração do planeta vermelho com sondas, robôs
e humanos. Este projecto prevê a cooperação internacional,
o que poderá levar a uma cooperação entre as duas
potências espaciais – Europa e EUA.
O programa espacial da China que tem dado muito que falar, na medida em
que os chineses têm apostado bastante na exploração
espacial como forma de mostrar o seu potencial adormecido. Apesar do mistério
em que o programa espacial chinês está envolto, têm
feitos avanços consideráveis e pretendem alcançar
a Lua e Marte. Basta recordar que há umas semanas, Pequim enviou
chineses ao espaço pela segunda vez e fala-se já de em 2010
viajarem até à Lua.
Países como Brasil e a Índia, têm também trabalhado
e aperfeiçoando os seus programas espaciais. O Brasil, com alguns
percalços, tem feito progressos consideráveis. A Índia,
com a sua aliança estratégia com os EUA, espera conseguir
transferências tecnológicas que permitam melhorar a persecução
dos seus interesses. Malásia, Paquistão e Israel são
outras nações que também têm apostado no espaço
e feito declarações públicas das suas intenções
de investirem nesta área.
Nos últimos anos, a corrida espacial da actualidade ganhou novos
contornos. O Espaço deixou de ser apenas um factor prestigiante
para ganhar uma vertente económica. Não estou a falar dos
satélites em si, mas das novas áreas de exploração
espacial como o aproveitamento de minerais presente na Lua ou mesmo o
turismo espacial. Em 2001, Dennis Tito tornou-se no primeiro turista espacial.
Este mês visitou a Estação Espacial Internacional
o terceiro. O turismo espacial começa a delinear-se como uma aposta
do sector privado e correram já notícias de que dentro de
alguns anos será possível viajar até ao Espaço
pela módica quantia de 100 mil euros. Várias publicações
têm sido feitas acerca desta temática e tendo em conta o
mundo globalizado em que vivemos, em que a economia tem um papel essencial,
esta vertente espacial será alvo de concorrência estatal
e privada.
Em Maio de 2005, a NASA lançou um prémio de 250 milhões
de dólares à primeira equipa capaz de extrair oxigénio
do solo lunar. A tecnologia para retirar oxigénio será crucial
em missões futuras quer robóticas quer humanas na Lua e
futuramente nas missões a Marte.
A Agência Espacial Europeia – criou um prémio de 50
mil euros para encontrar uma ideia inovadora e alternativa para o uso
do Galileu (sistema de navegação por satélite), o
equivalente europeu ao americano GPS.
A criação do Galileu gerou alguns atritos entre EUA e Europa.
Em parte, porque as parcerias encetadas entre Europeus e Chineses iriam
permitir que a China ficasse totalmente independente em relação
aos EUA. Apesar das negociações acerca da emissão
de sinal do Galileu terem sido longas, o acordo foi possível a
partir do momento em que a Europa deu garantias que não iria disponibilizar
um sinal militar para outras Nações, nomeadamente a China.
De salientar que tanto na Guerra Fria como nos nossos dias, a corrida
espacial é sinónimo de evolução científica
e tecnológica. Novos recursos são necessários. A
inovação tem de estar sempre presente para que seja possível
ter objectivos mais ambiciosos.
Em suma: foi a competição política e científica
que nos levou à Lua e será certamente ela que nos levará
a Marte.
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