ORIGENS DA OSCE:
A OSCE foi estabelecida enquanto Conferência para a Segurança
e Cooperação na Europa.
As conversações começaram em Helsínquia, capital
que deu o nome ao documento que formalmente viria a instituir a CSCE,
em 1975 – a Acta Final de Helsínquia. EUA, Canadá,
União Soviética e os países da Europa, incluíndo
a Turquia, assinaram a acta, na qual houve consenso e unanimidade. Ficou
estabelecido que todos os membros teriam igual estatuto e que a presidência
da Conferência seria rotativa.
Esta conferência teve uma ampla participação e, embora
não tivesse emergido em torno de um propósito comum, tentou
acordar princípios que o fossem.
Enquanto que o bloco ocidental pretendia um maior acesso às culturas,
o bloco soviético via na Conferência o reconhecimento do
status quo político-territorial após a II Guerra Mundial.
O colapso da URSS e, por consequência, do Comunismo, fez com que
a CSCE tivesse que exercer um papel diferente tendo, por isso, de ser
repensada a sua estrutura. As mudanças começaram em 1990,
na Cimeira de Paris, na assinatura da Carta de Paris para uma nova Europa,
que fora assinada a 21 de Novembro desse ano. Enquanto que Helsínquia
lidava com a divisão, Paris lidava com a liberdade e uma das primeiras
mudanças introduzidas foi a alteração do nome para
OSCE, em Janeiro de 1995, no seguimento da conferência de Budapeste,
em 1994, sendo esta uma alteração meramente simbólica.
PRINCIPAL(IS) OBJECTIVO(S):
O principal objectivo da OSCE era gerir a divisão Leste/Oeste e
a sua “espinha dorsal” é a Carta de Segurança
Europeia, adoptada em 1999, e que define e enquadra a nova postura da
OSCE no quadro do pós-Guerra Fria.
Prevenção e gestão de conflitos, reabilitação
pós-conflito e missões no terreno serão palavras-chave
do ideário da OSCE.
AS MISSÕES:
Actualmente, a OSCE tem 16 missões no terreno: na Europa de Leste,
no Cáucaso, na Ásia Central e no Sudeste Europeu.
São, essencialmente, missões de monitorização,
investigação, acções de esclarecimento, apoio
à democratização, cursos de formação
de polícias ...
A área-chave das missões da OSCE é a prevenção,
destacando-se também a gestão e a reabilitação.
ALGUMAS LIMITAÇÕES:
A principal dificuldade da organização é traduzir
compromissos em acções concretas, isto é, dificuldade
em alcançar consensos. As instituições não
substituem a vontade política, havendo vários interesses
paralelos e, ao mesmo tempo, competitivos.
Além disso, falta-lhe ainda poder persuasivo e mecanismos de imposição,
havendo um desequilíbrio entre as capacidades organizacionais e
operacionais e as exigências dos problemas.
O seu orçamento é bastante limitado e o seu pessoal ainda
muito pouco especializado.
POTENCIALIDADES:
Todavia, para além das dificuldades acima referidas, são
também de destacar potencialidades/virtudes, nomeadamente: o carácter
político das decisões acarreta valor moral com base no princípio
do consenso; as normas e os princípios acordados influenciam comportamentos
e atitudes dos seus membros; são positivas a heterogeneidade e
a diversidade; há uma inter-relação das dimensões
e conceito abrangente de segurança; a sua flexibilidade permite
um envolvimento alargado; mantém o seu papel como fórum
de diálogo e discussão; tem uma função de
integração fundamental no contexto em que é necessário
evitar sentimentos de exclusão.
FUTURO DA OSCE: VALE A PENA CONTINUAR?
Apesar das críticas de que é alvo, a OSCE tem que afirmar
o seu papel e apostar em “nichos de actuação”,
designadamente na diplomacia preventiva, na luta global contra o terrorismo,
na questão dos Estados frágeis, onde os princípios
democráticos não existem ou estão ainda em fase pouco
avançada de germinação.
Sem dúvida, foi-nos deixada pela Dra. Maria Raquel
uma perspectiva optimista em relação à OSCE. A OSCE
tem futuro.