| 39ª Tertúlia - O Rumo de Portugal | |||
Lisboa, 22 de Fevereiro de 2005 |
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| Orador: Pedro Lains | |||
| Moderação: Nuno Mendes | |||
| Redacção da Acta: Rosalina Oliveira | |||
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Começando por identificar os períodos entre
1947 e 1973 e o momento imediatamente a seguir à entrada na União
Europeia (UE), como os tempos áureos da economia portuguesa, o
orador apresentou alguns dados quantitativos que ajudaram a sustentar
a sua análise. Através dos gráficos e tabelas apresentados,
pudemos todos constatar que aquilo que mais contribuiu para esse sucesso
foi o acréscimo do investimento, associado ao aumento da produtividade.
Ficou igualmente demonstrado que Portugal, entre 1973 e 1990, apesar de
continuar a ser um país atrasado, assistiu a um acréscimo
de capital humano em 41%. Todavia, como a economia funciona por ciclos,
a um período de crescimento pode seguir-se um período de
menor aceleração. Foi o que se passou a partir de 1973,
época em que se verificou uma grande alteração no
sector industrial. Segundo o Dr. Pedro Lains, é a situação
ocorrida neste sector que despoleta o fim do primeiro “período
de ouro” da economia portuguesa. O abrandamento da indústria
é provocado por mudanças estruturais, que por sua vez se
devem à abertura de Portugal ao estrangeiro. Enquanto determinados
sectores tradicionais adquirem um peso maior na economia (o caso dos têxteis,
vestuários, e couros), outros mais sofisticados perdem importância
relativa (tais como os produtos químicos). Este foi, aliás,
um dos pontos mais importantes da sua intervenção. Terminada a sua apresentação, seguiu-se
um período interessante e produtivo de debate, onde várias
foram as intervenções que surgiram - ora no sentido de que
há uma maior aproximação de Portugal à Europa
do século XX, ora abordando a temática da imigração.
Neste último ponto, o orador fez ressaltar a ideia de que as remessas
dos imigrantes foram uma das formas mais importantes para o crescimento
da economia nos períodos supracitados, o que não quer de
todo dizer que fossem indispensáveis, pois torna-se importante
ver que quando há potencial de crescimento, surgem sempre meios
de o financiar [o crescimento]. Surgiu também a questão
se Portugal deverá ou não apostar na Língua Portuguesa
para se afirmar no panorama internacional, sendo que, no seguimento deste
argumento, um dos assistentes levantou a interessante questão de
que se Macau é encarado pela China como ponto de apoio para o acesso
ao mercado da Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa
(CPLP), porque não aproveita Portugal o convite que lhe é
feito para ser “padrinho” desse elo? Uma última questão levantada por outro membro
do público foi a seguinte: não terá sido o facto
de o governo português não ter intervido na economia com
objectivos de longo-prazo que minou o desenvolvimento económico?
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