| 35ª Tertúlia - O Desporto como Factor de Prestígio Internacional dos Estados |
Lisboa, 28 de Setembro de 2004 |
| Fotografias da Tertúlia |
| Investigação
de suporte à tertúlia: "Diplomacia Desportiva Internacional
- Alexandre Mestre |
| Orador: Alexandre Mestre |
| Moderação: Emanuel Francisco Gonçalves |
| Redacção da Acta: André Barrinha |
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No dia 28 de Setembro, teve lugar na livraria Ler Devagar, a 35ª Tertúlia do CIARI, intitulada “O Desporto como factor de Prestígio Internacional para os Estados”, tendo contado com Alexandre Mestre como orador principal. Este começou por abordar o início do processo de internacionalização do desporto, algo que ocorreu nos finais do século XIX, quando Pierre de Coubertin apostou fortemente no renascimento dos Jogos Olímpicos. Algumas décadas mais tarde, o desporto era um fenómeno em franca expansão internacional, sucedendo-se os eventos desportivos, muitos deles tendo como base uma motivação política, como os Jogos Olímpicos de 1936, na Alemanha de Hitler. Com o fim da II Guerra Mundial, o desporto torna-se numa das diversas variáveis da Guerra Fria: desde os boicotes aos Jogos Olímpicos, aos encontros de xadrez entre mestres soviéticos e norte-americanos, todos os eventos desportivos que envolviam o Bloco Soviético e EUA, continham uma forte componente política. Com a queda do Muro, a dinâmica altera-se: o desporto torna-se aliado da mediatização mundial, integrando-se nos fenómenos da globalização económica e cultural. O desporto foi também visto enquanto elemento de paz e aproximação dos povos. A diplomacia do ping-pong levada a cabo por Nixon e Kissinger face à China, ou o encontro entre os EUA e Irão em 1998, são disso exemplo. Mas, tal como pode ser um elemento de pacificação, também pode ser de conflito. Ao longo dos anos têm sido vários os boicotes de Estados a competições internacionais; passando para uma esfera mais violenta, temos o exemplo paradigmático dos Jogos Olímpicos e 1972, onde, aproveitando-se do efeito mediático do desporto, um grupo palestiniano assassina onze atletas israelitas, como forma de mostrar ao mundo que a vitória de israelitas sobre palestinianos não dava o direito a estes de representarem a Palestina nuns Jogos Olímpicos. É, contudo, enquanto factor de prestígio internacional e orgulho nacional, que o desporto mais se destaca. Os resultados de grandes encontros desportivos podem fortalecer ou enfraquecer a imagem de um regime ou de uma nação. Segundo Alexandre Mestre, o desporto pode mesmo funcionar como barómetro da evolução de uma nação e das suas relações com os outros, como índice da auto-estima de um povo. Mussolini aproveitou o Mundial de Futebol de 1934 para afirmar o seu regime, tal como os alemães da RFA sentiram que tinham ‘voltado a ser alguém’ após a vitória no Mundial de 1954. Ganhar, ou o simples acto de organizar são manifestações com um só objectivo: prestígio. Existe hoje em dia uma panóplia de organizações internacionais que controlam a distribuição desse mesmo prestígio, desde o Comité Olímpico Internacional à FIFA, passando por organizações que não sendo desportivas, desempenham um papel importante na sua promoção e regulamentação: são os casos, entre outros, da União Europeia, da UNESCO e do Conselho da Europa. Constata-se assim que o desporto é um importante instrumento das relações internacionais, algo semelhante a um ‘suplemento diplomático’. Após a exposição inicial, seguir-se-ia um debate, que acabaria por fugir, sobretudo, para o papel do futebol nas relações internacionais e para as condicionantes provocadas neste pelo processo de globalização. No fim, ficou a sensação
que a discussão da temática do desporto sob um prisma político-social
é uma matéria ainda muito pouco explorada em Portugal, a
necessitar de mais eventos como este. |