| 32ª Tertúlia - A Presença Portuguesa no Oriente - Conjugar o Passado no Futuro |
Lisboa, 22 de Abril de 2004 |
| Tópicos da intervenção do Orador |
| Fotografias da Tertúlia |
| Orador: Prof. Jorge Santos Alves |
| Moderação: Constantino Xavier |
| Redacção da Acta: João Sobral |
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| «A Presença
Portuguesa no Oriente - Conjugar o Passado no Futuro» foi o tema da
32ª tertúlia organizada pelo CIARI no dia 22 de Abril de 2004.
Realizada na Casa de Macau, em Lisboa, e organizada em parceria com o Instituto Internacional de Macau (IIM), teve como orador o Prof. Jorge Santos Alves, colaborador do Instituto Internacional de Macau e docente do Instituto de Estudos Orientais da Universidade Católica Portuguesa, e como moderador o Dr. Constantino Xavier. Na sua palestra o orador focou as linhas de força da presença portuguesa na Ásia desde o século XVI, referindo que tão importante como a presença oficial foi também a presença privada, que em muitos casos perdurou para além daquela. Referiu ainda a nossa extraordinária adaptabilidade a outros ambientes, espelhada na miscigenação. Focou também que presentemente devemos ter alguma sensibilidade diplomática, sobretudo ao nível das comemorações da nossa presença no Oriente. O entendimento que os povos do Oriente hoje têm dessa presença não é coincidente com o entendimento português da mesma, o que pode gerar atritos. Foi ainda dito que, por restrições orçamentais e porventura por falta de estratégia de política externa, a presença da diplomacia portuguesa na Ásia é diminuta. Inclusive, na recente visita à China comentou-se que a sra ministra dos Negócios Estrangeiros pouco destaque deu a Macau. Foi igualmente comentado que os portugueses têm do seu país a imagem de um país que já não existe, por já não ter a projecção do passado. Mas que ainda assim Portugal continua a ser como os peixes, que fora de água morre, salientando que o Atlântico é para nós fundamental. Hoje Portugal está a perder em termos diplomáticos porque não tem diplomatas de carreira virados em exclusivo para uma área geográfica, como outros países têm. Nesses casos aprendem a língua e tornam-se especialistas numa determinada região. No nosso caso, não raras vezes, as negociações com os diplomatas estrangeiros são feitas em português, o que nos coloca desde logo em desvantagem. O caso das negociações com os chineses é disso um bom exemplo. A diplomacia cultural é importantíssima, e tudo começa pela preservação da língua e por saber onde está, no exterior, o “Portugal dos afectos” no seio das comunidades de luso-descendentes, o que não tem sido devidamente explorado. As várias intervenções, de nível muito distinto, enquadram-se na postura jovem e voluntarista que tem marcado a actividade do CIARI como fórum que privilegia o estímulo do debate crítico no âmbito da sociedade civil sobre assuntos de política internacional e de política externa portuguesa. |