30ª Tertúlia - A caminho de um novo arsenal nuclear americano - a controvérsia dos mini-nukes

Lisboa, 6 de Fevereiro de 2004

Palestra do orador (resumo)
Fotografias da Tertúlia
Orador: Miguel Monjardino
Moderação: Pedro Ferreira
Redacção da Acta: Emanuel Gonçalves
 

A expectativa era elevada, o convidado era um dos mais prestigiados especialistas portugueses em Segurança Internacional, Miguel Monjardino; o tema era, além de actual, tão pertinente quanto melindroso, uma vez que retoma receios que se julgavam, por muitos, distantes das Democracias Ocidentais: as armas nucleares.

O autor começou por falar de dois problemas gerais na problemática nuclear:
1. a problemática das doutrinas do nuclear estarem ligadas à Guerra-Fria – muito ultrpassadas
2. a possibilidade de aparecer um nuclear supermarket

No que diz respeito à inovação que a Administração Bush trouxe, a investigação das possoblidades de se desenvolveram os Mini-Nukes, o orador optou por não fazer um juízo de valor apriorístico, defendendo que tem a vantagem de trazer a problemática do nuclear à tona, de se passar a discutir, de novo, a questão nuclear. Nos últimos anos só se tem mexido no armamento convencional, o armamento nuclear encontrava-se emprateleirado como armamento não utilizável. Bush propõe, agora, criar-se (por enquanto apenas o Congresso apenas deu autorização para ser investigada a possibilidade de se criarem essas armas) armas nucleares de menor capacidade destrutiva – os Mini-Nukes têm 20 a 25 % da capacidade das bombas de Hiroshima e Nagasaki e são capazes de penetração.

De seguida a palestra seguiu para a explicação da opção pelos Mini- -Nukes: em primeiro lugar, porque hoje duvida-se muito da capacidade de dissuasão das actuais armas nucleares – como se verifica no caso do terrorismo internacional, que desterritoriado, não tem um terrirório para automaticamente defender; e, a dificuldade de, com o armamento actual, atacar alvos a elevada profundidade: o problema surgiu em 1981 quando Israel decidiu-se por atacar o reactou nuclear iraquiano. Voltou a ser um problema em 1991 no Iraque e ressurgiu no Afeganistão – os seus partidários dizem que os Mini-Nukes resolverão de vez este problema.

Mas para se imporem as Mini-Nukes têm algumas dificuldades:
· não há certezas reais sobre a sua eficácia, pelo que se rebentarem a profundidades menores poderão originar contaminações atmosféricas, com problemas junto das opiniões públicas; e,
· o mainstream militar está contra elas


Após a palestra segui-se um espaço de debate, onde se começou por saber como se fará a experimentação das novas armas, saber se há espaço para o fazer e a moralidade das armas nucleares, sem nunca se obter respostas concretas para estas questões. Ligada à moralidade está também a questão de que as Democracias não vêem com bons olhos o desenvolvimento das armas nucleares – situação que não está totalmente comprovada, uma vez que actualmente o Japão está em processo de desenvolvimento destas armas, com forte apoio populacional. Porventura serão apenas as democracias Ocidentais que não aceitam este armamento.

Depois segiu-se um período onde o debate fugiu do tema central das Mini-Nukes, aproveitando a presença do convidado, para se cair no tema do Iraque, onde o Prof. Monjardino salientou que a opção seguida no Iraque – Mudança de Regime – tinha custos, mas que as outras opções – a Contenção e a Dissuasão – também o teriam, algo que o debate da guerra parece ter esquecido, centrando-se a questão apenas no cinzento das ligações da administração a alguns grupos económicos benificiários da guerra, o que realmente não ajuda ao debate sobre a matéria.

Infelizmente nesta altura, por compromisso prévio o orador teve de se ausentar por compromisso prévio, ficando um grupo mais reduzido, que centrou o debate primeiro na questão nuclear – desde a sua utilização contra o Japão na II Guerra, e sua legitimidade; depois, nos problemas das democracias ocidentais.

 

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