| 28ª Tertúlia - O Impacto Social e Político das Tecnologias de Informação e Comunicação |
Lisboa, 10 de Dezembro de 2003 |
| Fotografias da Tertúlia |
| Orador: António Bob dos Santos |
| Moderação: João Sobral e Nuno Coelho |
| Redacção da Acta: João Sobral e Nuno Batista Jorge |
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| A 28ª tertúlia
do CIARI foi subordinada ao tema “O Impacto Social e Político
das Tecnologias de Informação e Comunicação”.
Teve lugar a 10 de Dezembro de 2003, o que coincidiu com o início
dos trabalhos da Conferência Mundial sobre sociedade de Informação
organizada pelas Nações Unidas, em Genebra.
A palestra inicial de António Bob dos Santos, da UMIC (Unidade de Missão Inovação e Conhecimento), contemplou os impactos das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), ao nível das novas formas de organização económica e social. Referiu que as relações laborais, assim como a relação do Estado com as empresas e com os cidadãos têm a sua natureza alterada, salientando que as TIC auxiliam o desenvolvimento económico, o crescimento e a produtividade, permitindo inclusive uma expansão da democratização em virtude de um maior acesso à informação e ao conhecimento. Além disso, a convergência (interoperabilidade) crescente das TIC, aliada à mobilidade, dão origem a uma maior integração económica e social e a uma maior competitividade, com consequências de alastramento desse fenómeno a regiões e/ou a grupos que não têm, por enquanto, a possibilidade de aceder a este tipo de ferramentas. Durante a discussão os participantes foram enumerando vários exemplos práticos das facilidades criadas pelas TIC. Na área da saúde, por exemplo, o tratamento preventivo e o acesso a consultas à distância, a partir de regiões remotas, são realidades em claro desenvolvimento. Um serviço como a “loja do cidadão”, que centraliza num mesmo espaço físico uma panóplia de serviços públicos, também só é possível devido a uma sofisticada concentração de mecanismos de transferência de informação. Presentemente, e no âmbito da agência governamental UMIC, a sociedade de informação passou a ser encarada pelo governo como um sector transversal a todas as políticas ministeriais, razão pela qual este organismo não se encontra integrado em nenhum ministério. Algumas iniciativas que estão em desenvolvimento são os Campus Virtuais, que prevêem a instalação de redes sem fios em todas as universidades, e a ligação entre elas, o serviço de compras públicas electrónicas, o plano nacional para a banda larga ou ainda o lançamento do Portal do Cidadão. A discussão entre os participantes começou por alertar para a ilusão de que as TIC já permitem uma comunicação completamente global. Tal como falar de globalização é forçar a realidade, também as TIC não formam uma rede global, mas redes localizadas. Neste campo existem não apenas problemas ao nível do fosso de literacia tecnológica entre o Norte e o Sul mas inclusive um grande contraste no acesso aos meios tecnológicos dentro das próprias sociedades desenvolvidas. A disparidade ao nível da desigualdade e ao nível da inclusão no ritmo e na dinâmica da sociedade contemporânea acentuam-se, por exemplo entre os que têm e os que não têm acesso à Internet. Neste novo mundo nem tudo são vantagens. No desenrolar da discussão os participantes criticaram pela negativa a forma como as TIC são usadas, interrogando-se acerca da conveniência de existir um maior controlo e regulamentação acerca do uso das TIC. Um dos aspectos mais apontados resume-se ao nível dos media, devido à forma como, através de um suporte tecnológico de grande difusão, proliferam mensagens imprecisas. O poder que os órgãos de comunicação social atingiram nas sociedades ocidentais é inquestionável. Contudo, estas novas possibilidades, em si, não são boas nem más. Tanto nos media como noutras áreas, depende do uso que fizermos delas. É possível concluir que é uso que damos à tecnologia de que dispomos, ao permitir uma alteração do ritmo e das possibilidades das relações económicas, sociais e políticas, e ao aumentar a difusão do conhecimento, que determina hoje o tipo de sociedade que temos.
UMIC (http://www.umic.pcm.gov.pt/UMIC/)
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