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Abertura |
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21:30 |
Definição
de “prospectiva” in Porto Editora
- Prospectiva – (Substantivo
feminino, neologismo) – Conjunto de investigações que têm por
fim a previsão a longo prazo no domino das ciências humanas
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Para
“prospectivarmos” com seriedade teriamos que:
- Fazer um levantamento
exaustivo da situação actual do país
- Determinar o modelo/modelos
que o país segue
- Aplicar o mesmo ao resto
do mundo
- Quase que matematicamente
poderiamos determinar o nosso ponto em qualquer momento no futuro.
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No
entanto, esta análise peca por:
- O modelo do país ser
dinâmico e alterável
- A realidade que nos cerca
altera-se a uma velocidade vertiginosa
- Há muitas incertezas
e factores desconhecidos que não temos capacidade de prever
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Em
alternativa, podemos definir uma questão fundamental como fio condutor
para a tertúlia: |
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“O que é que nós, enquanto
Portugueses, queremos ou gostariamos que Portugal fosse em 2020?” |
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A
resposta deve ser dada nas seguintes vertentes:
- Na cena política internacional
- No espaço lusófono
- No plano cultural/educacional
- No plano económico
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Orientação:
estado corrente vs estado futuro (objectivo a atingir) |
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Política Internacional |
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21:35 |
Alguns factos |
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Portugal
é uma nação:
- Com 10 milhões de habitantes
- Pequena produção agricula/industrial
- Sem recursos naturais
- População pouco educada/instruida
- Não é um país estratégico
(à excepção dos Açores)
- Estado-membro e fundador
da OTAN
- Estado membro da UE
- Estado membro da ONU
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Consequências |
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Talvez
por tudo isto:
- É um país com pouca projecção
internacional
- É um país que fala pouco
e fala baixo
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E
o mundo?
- A ONU é uma organização fraca (opinião pessoal!!!!),
dominada por um conselho de segurança, para não dizer dos EUA.
O papel de Portugal é quase que meramente representativo.
- A OTAN tende a reorganizar-se, abrindo-se
a Leste e podendo comandos estratégicos deslocarem-se de Portugal
para Espanha
- Na União Europeia o directório dos Grandes
quer cada vez mais poder, com a consequente diminuição da margem
de manobra dos países pequenos
- A UE vai alargar-se e quantos mais países
menor a representatividade individual e a possibilidade de se
fazerem ouvir cada um dos países pequenos
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Questões:
- Qual gostariamos que
fosse o papel a desempenhar por
Portugal no seio da UE?
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Será um Estado secundário subjugado ao interesse dos grandes?
·
Será um parceria com Espanha construindo um bloco ibérico no seio da União?
·
Será através da criação de uma plataforma de países pequenos que em conjunto
criam um contra-poder aos países grandes?!
- E o papel no resto do
mundo?
- Será o de uma voz abafada
pela União Europeia?
- Irá continuar a ser
uma voz ténue e que raramente se ouve?
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Espaço Lusófono |
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22:00 |
O
que é o Espaço Lusófono?
- É um conjunto de países
em crise
- É um conjunto de países
pobres, mas com recursos (alguns)
- É um espaço ameaçado
– Moçambique já faz parte da CommonWealth e a França exerce grande
pressão sobre outros: Cabo-Verde, Guiné-Bissau e até mesmo Angola
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Existe
uma instituição CPLP:
- Que parece ter pouca
dinâmica
- Que parece não ter objectivos
definidos
- Com pouca visibilidade
para o cidadão comum – Deve ser um daqueles raros casos em que
as notícias quem vêm a público são mais frequentemente negativas
que positivas: o problema do carro da presidente, e as consecutivas
reuniões onde tudo se discute, mas nada se faz.
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Existe
um Instituto Camões:
- Ainda ninguém percebeu
como funciona
- O Português continua
a ser pouco projectado no mundo: Não há grandes acções de marketing
de divulgação da Língua Portuguesa
- Há carência de leitores
de português e os poucos que há não são tratados com dignidade:
pagamentos em atraso e contratos não renovados.
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E Portugal? |
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Foi
cabeça de império, mas:
- É pequeno e pobre
- Não tem autoridade nem
capacidade de liderança
- Funciona quase que exclusivamente
como dador a fundo perdido retirando poucas mais valias
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Questões: |
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- O mundo português está
ameaçado?
- Irá Portugal perder o
mundo português para a Inglaterra, França e Austrália ou será
a vontade dos povos maior que a vontade dos políticos?
- Irá Portugal conseguir
criar cinergias com as suas ex-colónias?
- Turismo e pescas com
Cabo-Verde, Guiné e São Tomé
- Agro-pecuária com Angola
e Moçambique
- Exploração petrolifera/gás
natural com Angola
- Projectos de investigação
e desenvolvimento e parcerias indústriais com o Brasil
- Será que uma maior integração
europeia força a um maior distanciamento com as antigas colónias?!
- Enquanto portugueses
e projectando Portugal em 2020 qual gostariamos que fossem as
nossas relações com as colónias?
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Cultura/Educação |
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22:20 |
Na cultura.... |
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- Projecção cultural portuguesa
limitada
- Há nomes grandes: Paula
Rego, Álvaro Siza, Luís Figo, Madredeus, Saramago, etc...
- Há pouca coordenação,
não há marca, não há associação país/pessoas/cultura. Ex: Novo
slogan da GreenPeace pelos Madredeus.
- Cultura portugesa no
mundo mal protegida:
- Museu português em Cochim:
Gulbenkian
- Forte de São Jorge da
Mina: Gulbenkian
- E o resto? A presença
portuguesa em Goa, em Macau, em Malaca, em Marrocos, na Ilha
de Moçambique. Quem cuida? Quem inventaria? Quem se preocupa?
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Questões: |
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- Será que o património
cultural português histórico (fisico) no mundo está em vias de
extinção?
- Portugal tem actualmente
património cultural?
- Como se define? Será
através do futebol, das artes, da engenharia, das ciências,
etc?
- Como se projecta no
próprio país?
- Como se projecta no
mundo?
- Será que o futuro cultural
português no mundo vai resumir-se a uma modesta e quase desapercebida
contribuição? Como gostariamos que se processasse?
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22:35 |
Na educação... |
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Não
há qualidade. Ponto.:
- Os alunos são fracos
- Os professores estão
desmotivados
- As escolas “edifícios”
têm poucas condições: a própria estrutura da escola, poucos laboratórios,
mal equipados, etc.
- Métodos de ensino deficientes
– muito baseados no estudo de manuais e pouco apelo a experiências,
visitas de campo, exploração de ideias novas.
- O ensino não segue um
sistema meritocrático nem exije qualidade
- Há, ou tem havido, alunos
a entrar com notas negativas no ensino superior
- Há universidades a leccionar
sem qualidade
- Há cursos a mais
- Há demasiados formandos
em curos não estratégicos ou para os quais não há vazão no mercado
de trabalho. Ex: criação de três cursos novos de arquitectura
só em Lisboa, quando existe uma deficiência brutal em medicina
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Questões: |
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- Que critérios regem a
nossa educação?
- Que tipo de profissionais
iremos ter no futuro?
- Estamos a apostar em
áreas estratégicas?
- Os cursos são planeados
tendo em conta a estratégia nacional e as necessidades do país?
- QUESTÃO FUNDAMENTAL:
Não estará o actual modelo educativo a comprometer seriamente o futuro do país? Que modelo educativo
gostariamos de ver implementado?
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Plano Económico |
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22:50 |
Alguns
factos:
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Infra-estruturas
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Más vias rodoviárias e ferroviárias. E caras.
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Portos maritimos ineficientes e caros
·
Aeroportos caros
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Mão-de-obra
·
Pouco qualificada
·
Mal paga, logo desmotivada, logo pouco produtiva
·
Portugal é um país caro
·
Muitos impostos
·
Impostos elevados
·
O que leva a custos de produção elevados
·
Organização económica
·
Têxteis/calçado
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Vinhos
·
Construcção naval
·
Indústria automóvel (muito dependente da AutoEuropa)
·
Turismo/Serviços |
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Questões: |
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Alguns anos atrás o governo português encomendou um estudo ao prof. Porter
que identificou um conjunto de clusters estratégicos para o país.
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Parece-vos que está a haver uma aposta nacional nesses clusters?
·
Parece-vos que estão a ser criadas as condições (contexto) para que esses
clusters tenham sucesso?
·
Não estarão os nossos clusters ameaçados por países terceiros com custos
de produção muito mais baixos (Malásia, Polónia, Chile, etc)?
·
Não seria proveitoso apostar em áreas de futuro (telecom, software, biotecnologia,
etc)?
·
Como fazer com que a nossa educação possa servir de base a este objectivo
nacional?
·
Actualmente como forma de re-estruturação as multinacionais tendem a concentrar
os seus centros de decisão. Como resultado muitos centros de decisão
têm saido de Portugal para Espanha, tornando-se Portugal mais periférico
e mais secundário.
·
Será que a tendência é para Lisboa se tornar uma cidade secundária no contexto
ibérico estando ao mesmo nível que uma Sevilha?
·
Ou será que Portugal irá conseguir criar a força que precisa para no futuro
se tornar uma segunda Barcelona?
·
O que é preciso fazer para reter os centros de decisão em Lisboa? Será que
passa por tornar Lisboa como o interface por excelência com os PALOPs
e Brasil?
·
Será que o futuro de Portugal é tornar-se um resort de férias para
o turista rasca que tem pouco mais de meia dúzia de euros para gastar
e para o qual a única preocupação é comer a sandocha no quarto do
apartamento alugado e gastar os poucos cobres que lhe sobejam num
qualquer bar algarvio? Mas como se pode pedir turismo de qualidade
quando:
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A paisagem está degradada
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As vias de comunicação são más
·
O serviço é pouco profissional
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O objectivo último é sacar o máximo de dinheiro ao turista investindo o
minimo possivel em qualidade. |
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