7ª Tertúlia - O Perigo dos Regimes Extremistas
Lisboa, 13 de Novembro de 2001
Fotografias da Tertúlia
Moderação: Miguel Castro Santos
Redacção da Acta: Alexandre Mestre
 

Abordar o tema "O perigo dos regimes extremistas" carece, naturalmente, de um enquadramento prévio quanto àquilo que se entende como "regimes extremistas". Foi isso que se tentou fazer na Tertúlia, não obstante não se terem obtido grandes consensos. Ainda assim foi possível identificar, como ponto de partida, um mínimo denominador comum.

Um regime extremista está então associado a uma ideologia ou a um apuramento de uma filosofia dominante, que de forma maniqueísta impõe as suas regras a toda a sociedade, maxime de forma violenta.

Todo aquele que transgrida tais regras é visto como estando "do outro lado", devendo nessa medida ser eliminado, seja por via cultural, política ou física. Eis a visão sectária e intolerante que cataloga de "infiel" aquele que tem uma concepção diferente, aquele que "desrespeita" os "donos" da verdade, os detentores do monopólio da razão.

O fundamentalismo islâmico, o nazismo, o bolchevismo, o Julgamento de Nuremberga, as autocracias e os extremismos africanos, bem como o ora muito recorrente fundamentalismo islâmico mereceram referências evidenciadoras dos diferentes cenários nos quais os regimes extremistas podem ser enquadrados.

À questão: "Que elementos podem potenciar/desviar o extremismo?" os presentes preferiram voltar a casos concretos para ilustrar as suas ideias. Desde logo a tese de Kissinger de que a potência dominante tem meios, democráticos ou não, que persuadem, impõem a ideia de não aceitação de outros regimes políticos. Tocqueville foi invocado para indicar a veia pouco propiciadora de potenciação de extremismos numa América na qual o direito de associação é fortemente exercido, dando voz à sociedade civil, em contraponto com o exemplo da ex-URSS. Também Mao foi relembrado...

Certo é que houve unanimidade quanto à ideia de que o poder dominante, qualquer que ele seja, tem toda a facilidade em instrumentalizar quem dele depende, sendo o inverso naturalmente pouco plausível de acontecer.

No que concerne à temática da "influência dos ideais extremistas em Portugal, a por vezes existente nostalgia pelo Estado Novo serviu de mote para convergir na ideia de que a estabilidade e o extremismo governamental podem interagir.

Mas Salazar também foi mote para uma análise crítica ao fascismo, ponte para o diálogo sobre Haider, sobre a violação dos direitos humanos na Turquia , a Inquisição, e os movimentos anti-globalização de Seattle.

Estas últimas incursões temáticas, a juntar ao supra referido permitiram à Tertúlia demonstrar cabalmente que os regimes extremistas são intemporais, inseridos em diferentes contextos e personificados por protagonistas da mais diversa índole e/ou natureza... No mais... muito ficou por concluir, mas este tema tem indubitavelmente uma narrativa aberta...

Alexandre Mestre
Licenciado em Direito
 

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