6ª Tertúlia - Quem Governa?
Lisboa, 16 de Outubro de 2001
Fotografias da Tertúlia
Moderação: Susana Freitas
Redacção da Acta: João Brazão
 

No dia 16 de Outubro realizou-se em Lisboa a VI Tertúlia do CIARI subordinada ao tema: Quem Governa?

Logo à partida este tema foi encarado como podendo levar a uma série de intervenções em que a unanimidade de opinião estaria longe de se atingir, uma vez que as partes que estiveram presentes nesta tertúlia, (embora na sua maioria pertencessem ao ramo das Ciências Sociais, com particular relevo para àrea das Relações Internacionais), pertenciam a àreas tão díspares desde a Física, a Engenharia até à Arquitectura. E isto é que é salutar pois apercebemo-nos que as pessoas hoje em dia têm os horizontes muito mais abertos, não se confinando aos assuntos que têm mais directamente a ver com as áreas em que se especializam. E isto é tambem fruto de uma aldeia global cada vez mais presente.

Assim, em princípio, estava desde logo assegurado, dada a heterogeneidade das áreas a que os participantes pertenciam, um debate extremamente estimulante que nos poderia levar a conclusões de vária ordem.

Sendo o assunto em análise bastante lato, começou-se por questionar o papel do individuo e da opinião pública. Será que o individuo tem algum poder para modificar as decisões de quem governa? A resposta numa sociedade aberta é claramente positiva mas para tal o individuo deve tomar consciência desse poder e não participar na sociedade civil de que ele faz parte só quando o Estado o interpela. Nesta medida a educação assume o papel cada vez mais determinante. A consciencialização de que o individuo tem o direito de lutar pelos seus direitos não pode ser apenas retórica. O individuo não se pode limitar a ver pela "caixa que mudou o mundo " os acontecimentos a tomarem determinado rumo. É neste sentido que urge ter-se consciência do que é a cidadania.

Dada a ainda proximidade dos acontecimentos trágicos de 11 de Setembro nos E.U.A, foi inevitável que se aflorasse se o mundo a partir desse dia seria ou não diferente. Se se continuaremos a ver uma Europa politicamente desunida, sem intervenção por parte de todos os seus membros nas principais crises. Se os E.U.A. abandonarão um certo unilateralismo e isolacionismo que George W. Bush dava claros indicadores de pretender seguir. Em resumo se o dia 11 de Setembro faria com que se pudesse falar com alguma propriedade de uma nova ordem internacional. Esta questão como o tema que levou a que se realizasse esta tertúlia ficou em aberto. Pois se por um lado foi quase unânime que quem governa actualmente o mundo é indubitavelmente a economia sendo o Estado e os orgãos de soberania meros "joguetes" nas suas mãos. Por outro lado quanto à questão da possível nova ordem internacional não houve respostas conclusivas

João Brazão
Licenciado em Relações Internacionais
 

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