Mesa Redonda - A Turquia na União Europeia?
Setúbal, 1 de Maio de 2004
Fotografias da Mesa Redonda
Orador: Filipe Santos Martins
Moderador: João Sobral
Redacção da Acta: Olindo Iglesias
 
No passado dia 1 de Maio o CIARI organizou a sua quarta mesa redonda para debater “A Turquia na União Europeia?”. Para orador contámos com a presença de Filipe Santos Martins, e o debate foi moderado pelo João Sobral, ambos mestrandos em Relações Internacionais.

A discussão foi organizada em três fases, a saber:

a) Uma fotografia da Turquia e da União Europeia
b) A Turquia na UE
c) O futuro da UE

O orador iniciou os trabalhos fazendo uma apresentação histórica dos turcos definindo-os como um grupo extenso de povos que teve a sua origem na Mongólia e que, após sucessivos êxitos militares, ocupou um vasto território. Também de acordo com o orador o apogeu do povo turco ocorreu nos séculos IV e V com os Hunos. Embora os turcos não fossem muçulmanos de origem converteram-se ao Islão com a corrente sofista. O processo de conversão foi bem sucedido porque o Islão não impôs as suas práticas, mas importou dos turcos práticas que adoptou e que passaram a ser também suas.

Até ao século XVII o Império Otomano cresceu e floresceu sendo um actor importante na História Europeia. Contudo, é nesta altura que começa o seu declínio com perdas territoriais importantes e sucessivas até que no século XX, Kemal Atartük, reformula a sociedade turca

Kemal Atartük, definiu e lançou as bases para o que entendia ser necessário à construcção de um Estado Turco moderno. Basicamente, o seu modelo assentava nos três pilares seguintes: nacionalismo (suprimindo a ideia de etnicismo), laicismo (separando a religião do Estado) e militar (os militares como guardiões do Estado). A Turquia como a conhecemos hoje é resultado deste projecto que se iniciou em 1923.

Feita esta breve síntese sobre a história da Turquia passou-se ao segundo ponto da agenda. Discutiu-se então a política externa turca e identificaram-se os seguintes pilares:

- Reforçar laços com a UE convergindo, se possível, para uma integração
- Gestão de interesses no mundo árabe
- Ser um mediador no médio oriente ajudando a evitar focus de instabilidade
- Gestão de interesses geopolíticos na Ásia central

Da análise destes pilares a audiência concluiu que a Turquia tem um manifesto interesse na integração europeia e que a sua maior valia é geopolítica. No entanto, sabendo que um processo de integração é muito complexo e exigente, identificaram-se imensas dificuldades que teriam que ser ultrapassadas para que a integração pudesse ser um sucesso. Estas dificuldades enumeram-se a seguir:

- Problema cultural da integração da Turquia na União Europeia
- Situação política complicada
- Zonas fronteiriças problemáticas
- Economia débil


Se a mais-valia da Turquia é essencialmente geopolítica, e se as dificuldades que resultariam de uma integração são potencialmente muitas, feito o compto, quais as vantagens de ter a Turquia na UE? Obviamente, a resposta a esta questão depende da perspectiva. Os turcos acreditam que uma integração poderá favorecer o desenvolvimento económico do seu país, e que o seu maior contributo é de ser o braço militar da União. Os europeus (ou os seus líderes), por outro lado, acreditam que a UE também é um projecto civilizacional e querem por isso demonstrar que é possível criar um mundo melhor num país islâmico. Na União Europeia há quem defenda que o processo de integração deve ser exclusivo aos Estados Europeus, mas também há quem entenda que se trata de um projecto civilizacional que extravasa as fronteiras europeias.

Por todos estes motivos, a UE debate intensamente a questão da adesão Turca. Os que defendem que não se pode fechar as portas à Turquia advogam que este é um país com um mercado imenso e, por isso, potencialmente uma mais-valia económica a prazo. Outros argumentos têm a haver com o papel de relevo que a Turquia pode desempenhar na Política Europeia de Segurança e Defesa. Recusar a Turquia podia ter consequência imprevisíveis, como o incremento do fundamentalismo islâmico, e por isso a decisão tem sido sucessivamente adiada. Mas em Dezembro próximo está previsto que a decisão sobre a adesão plena daquele país seja apresentada.

 

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