| Mesa Redonda - Crise Mundial |
| Lisboa, 25 de Setembro de 2001 |
| Fotografias da Mesa Redonda |
| Moderação: Mário Almendra |
| Redacção da Acta: Margarida Barbosa |
| No
dia 25 de Setembro de 2001, o Centro de Investigação e Análise
de Relações Internacionais (CIARI) realizou extraordinariamente
uma mesa redonda, no sentido de proporcionar uma discussão e análise
dos atentados ocorridos nos Estados Unidos da América. Eis as frases mais importantes da mesa redonda: (Sónia Josué) Os atentados de 11 de Setembro não provocaram uma recessão na economia norte americana tão simplesmente porque esses sinais já haviam sido verificados; Osama Bin Laden nunca poderia realizar sozinho um ataque desta envergadura. (Mário Almendra) Bin Laden abandonou a família levando consigo uma fortuna estimada em 10 milhões de dólares. Esta foi sendo multiplicada através de negócios por si estabelecidos em vários países, nomeadamente nos Estados Unidos e no Sudão. (Sónia Josué) Não foi necessariamente Bin Laden o autor directo dos atentados, mas antes alguém da Al-Qaeda. (Filipe Santos Martins) Nem sempre é factual que os estados apoiem directamente as organizações terroristas, embora o Hezbollah seja um exemplo contrário - apoiado pelo Irão - a verdade é que cada vez mais se pode subsistir sozinho; Bin Laden reside no Afeganistão devido ao apoio que este estado sempre manifestou por organizações terroristas, mais ainda pela facilidade de estabelecimento de contactos que aí verificou existir. (Mário Almendra) Entre 1991 e o decorrente ano verificou-se de forma mais ou menos clara uma vazio de poder no seio da comunidade internacional, o que permitiu por um lado o reforço do papel norte americano nas Relações Internacionais e por outro o surgimento quase compulsivo de grupos terroristas autónomos. (Daniel
Pinéu) Não foi Osama Bin Laden que de forma isolada planeou
este ataque, mas antes operativos individualizados e autónomos.
A Al-Qaeda é uma organização diferente de todas as
outras, dado que se constitui em células independentes e activas
em mais de 40 países. Um ataque a uma destas não prejudica
o seu livre funcionamento. (Filipe Santos Martins) Foram essas escolas e centros que forneceram mais tarde os operativos para este ataque em solo americano. (Pedro Oliveira) O Afeganistão não forneceu apenas espaço/território a Bin Laden e à Al-Qaeda, mas mesmo que apenas tenha sido isto é o suficiente para justificar um ataque que dizime as organizações terroristas em solo afegão. (Mário Almendra) Espaço não se pode considerar apenas em termos físicos, mas significa também passaportes e livre circulação dentro deste e mesmo em todo o espaço afegão. ...Que tipo de guerra poderemos daqui em diante observar?....Continuaremos com os modelos mais convencionais ou a humanidade perderá o controlo e cairá em argumentos civilizacionais?.... (João Sobral) Não se pode cair em argumentos civilizacionais, uma vez que apesar de os taliban apoiarem Bin Laden e este ser o chefe de uma organização que está disseminada um pouco por todo o mundo, a verdade é que não lutam por objectivos civilizacionais mas utilizam-nos para espalhar uma mensagem em muitos casos bastante pessoal. (Gina Caetano) Não mais falamos de terroristas que vivem nas montanhas ou que não sabem ler nem escrever, falamos antes de homens cultos, instruídos, pertencentes à elite intelectual e que de alguma forma se radicalizaram. Agora parece que o terrorista está sempre um passo à frente. (Nuno Jorge) Como é que se explica a um nacional que um estrangeiro ordenou a morte, ainda que de forma consequencial, de mais de 5000 mil pessoas inocentes, suas concidadãs. Algo que no tempo de Napoleão parecia completamente impossível. (João Sobral) Os Estados Unidos da América não têm presidente, mas antes uma administração composta por elementos muito capazes e extremamente perspicazes. No início do seu mandato a Política Externa pautou-se por um isolacionismo exagerado, no entanto com os atentados ocorridos a 11 de Setembro George Bush moderou o seu posicionamento e radicalismo. (Gina Caetano) A sorte de Bush è ter a seu lado Colin Powel, um homem inteligente, experiente e moderado. (Feliciano Pereira) A atitude americana mudou, contudo não se falou muito no papel dos Media. Que papel poderão os meios de informação ter? E os lobbies terão ou não importância no funcionamento dos Media? (Pedro Oliveira) Como enfrentar o mundo a partir de 11 de Setembro? Como será possível a convivência com o mundo islâmico, dado que se pode ter criado um buraco entre as duas civilizações? As teorias de Geopolítica e Geestratégica terão que necessariamente ser reformuladas. (Daniel
Pinéu) Por que razão foram os Estados Unidos alvos de um
ataque se apenas tivermos em conta factores culturais e civilizacionais?; (Ricardo Miguéis) Existe uma diferença fundamental entre uma guerra feita para os media e a real, no terreno; O aspecto económico (globalização) não permite uma guerra civilizacional tal como Huntington previu; Não se pode dissociar os acontecimentos da guerra de 79/89 do apoio norte americano em solo afegão. (Sónia Josué) Os Estados Unidos pagam presentemente a factura pelas política externa de décadas; Não é o mundo árabe que constitui uma ameaça, mas antes o fundamentalismo qualquer que ele seja. ...Será que o fundamentalismo islâmico é o único perigo para o mundo ocidental?... (Carla Caetano) Não é o fundamentalismo islâmico que se torna um perigo, mas antes o radicalismo islâmico. (Alice Cunha) Existe uma crescente manifestação do islamismo no seio da União Europeia, esta é mesmo a segunda religião do espaço comunitário; Nós não os conhecemos a eles como eles nos conhecem a nós; A PESC perdeu parte do seu papel com estes atentados e hou ve um sentida regressão nas relações inter-estaduais, com o aperto das medidas de segurança e o aumento da desconfiança. (Filipe Santos Martins) O mundo muçulmano é uma ameaça importante, sendo que a religião demonstra uma papel fundamental no quotidiano destes povos; O terrorismo islâmico está associado a condições de miséria e diminutas condições de vida; (Nuno Jorge) George Bush pouco tem feito para efectivamente governar, no entanto está rodeado de bons elementos na sua administração; De forma simplista este ataque é dirigido à UE e aos Estados Unidos, por isso há que apoiar a formação de escolas em solo muçulmano, perdoar as suas dívidas e suportar alguns regimes politicamente. |